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ADOLESCENTES VICIADOS EM DROGAS: COMO TRATAR

A participação da família é essencial.

A dependência química é uma doença de causa multifatorial, que se instala quando o consumo torna-se frequente e o uso compulsivo ocupa o espaço de outras tarefas do cotidiano, comprometendo o bom desenvolvimento do adolescente e da sua saúde física e mental.

Segundo o psicólogo Wagner Abril Souto, responsável pelo grupo de jovens do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), em São Paulo, “a dependência química pode ser causada por fatores hereditários, emocionais próprios da dinâmica dos relacionamentos familiares, culturais e sociais como a disponibilidade da droga, o local de moradia e o fácil acesso”.

Muitos jovens usam drogas para mudar o modo de sentir, pensar e se comportar, porque se percebem mais desinibidos com a diminuição da percepção de perigo que a droga proporciona ou para aliviar o sentimento de exclusão quando são rejeitados e muito tímidos. Por isso, o conselho aos pais é que observem os filhos e tentem descobrir o que os está levando às drogas. Além disso, demonstrar amor e cuidado, apesar da situação, é fundamental.

Tratamento

O segundo passo é trilhar para o tratamento. Ajudar o filho a criar consciência e se aceitar como dependente, assim, o caminho fica um pouco menos difícil para a escolha e condução de um tratamento adequado.

“Grupos de auto-ajuda como os AAs (Alcoólicos Anônimos) têm um sucesso terapêutico semelhante a qualquer tratamento. Existe uma alternativa gratuita que são as comunidades terapêuticas, normalmente de fundo religioso, onde os dependentes se internam, quebram os laços que tinham com o ambiente de drogas, tentam aprender uma nova profissão e recuperar a auto-estima. Existem cerca de 3.000 comunidades no Brasil e aproximadamente 70 mil pessoas estão sendo socorridas nesses ambientes”, afirma o médico e professor Elisaldo Luiz Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Escola Paulista de Medicina.

Há outras possibilidades, mas com custos, como consultas em psiquiatras e psicólogos e internação em clínicas particulares. “A internação é uma tentativa desesperada de interromper uma situação de uso. Mas muitas vezes é paliativa. É indicada em alguns casos, por critério médico, mas não é a primeira escolha. A internação é indicada em casos de risco iminente de morte, quando não se consegue nenhuma outra interrupção, a pessoa não aceita o tratamento ambulatorial de jeito nenhum, não consegue dar conta disso e caso tenha uma complicação clínica ou psiquiatra também”, diz Souto.

Vontade própria

Qualquer que seja o processo terapêutico que se inicie, a vontade de realizar o tratamento tem que vir do dependente. Segundo Carlini, de cada seis pessoas que entram em tratamento, cerca de 70% retornam ao uso no fim de um ano. “Qualquer tipo de tratamento hoje ainda é deficitário. Nós não temos a fórmula aceitável para a dependência de drogas de um modo geral. É preciso que haja mais pesquisas. Novos métodos de tratamento têm de ser desenvolvidos e o mundo inteiro está procurando isso, porque o índice de fracasso é enorme”, aponta.

Uma das formas para se garantir o sucesso durante e após o tratamento é manter uma rotina com o dependente químico. “Ele precisa aprender a conviver em uma sociedade em que existe a droga e que nem todo mundo usa. O jovem vai ter que fazer a escolha de quem são amigos”, afirma Souto, psicólogo do Cratod. Essa rotina deve ser sempre acompanhada pelos pais. “A família é incluída no tratamento, também porque muitas vezes esse adolescente não é o único usuário em casa”, acrescenta.

Por Michele Roza

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