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MENSAGENS DE FÉ, ESPERANÇA E OTIMISMO

CONSUMO DE DROGAS NA ADOLESCÊNCIA

O papel dos pais é fundamental.

Acompanhar o filho de perto e criar uma rotina de diálogo pode prevenir e ajudar a combater o consumo de entorpecentes.

O consumo de drogas psicotrópicas ou psicoativas – entorpecentes que agem no sistema nervoso central e modificam o humor, comportamento e consciência – cresce particularmente entre os jovens, que enfrentam na pré e na adolescência uma fase de muitas dúvidas e novidades, aonde ficam suscetíveis a todo tipo de influências.

A figura parental, pai e mãe, presente no dia a dia dos jovens, é especialmente relevante na hora de acompanhar o crescimento dos filhos e a evolução dos relacionamentos deles. “Muitas das alterações comportamentais são devido à própria adolescência. Agora, a quebra de costumes e as mudanças de comportamento repentinamente merecem a atenção dos pais”, aponta o médico e professor Elisaldo Luiz Carlini, diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Escola Paulista de Medicina.

Se algumas situações fogem do convencional e o adolescente passa a ser displicente ou até mesmo agressivo, pode ser um sinal do uso de drogas. Para o psicólogo Wagner Abril Souto, responsável pelo grupo de jovens atendidos no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), em São Paulo, quando isso acontece “a abertura de um diálogo para conversar sobre as drogas, sobre o temor dos pais com o consumo e, principalmente, conhecer as pessoas que estão em volta do adolescente, pode e vai protegê-lo bastante, isso é o que a gente chama de Monitoramento Familiar”.

Cedo demais

Pesquisas organizadas pelo Cebrid apontam que jovens entre 10 e 12 anos de idade já fazem uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas como a cocaína e o crack. Solventes, medicamentos e energéticos (bebidas estimulantes) também são comumente usados. Entre as drogas ilícitas, a que os jovens mais fazem uso é a maconha. Uma pesquisa do Cratod mostra que, com base nos atendimentos realizados entre 2007 e 2009, com jovens de 12 a 18 anos, 67% mencionaram a maconha como a droga mais consumida por eles.

O Cratod ainda indica que a presença do álcool na família é rotina para metade dos adolescentes que bebem em excesso. O levantamento feito com pacientes entre 12 e 17 anos, dos quais 86% eram do sexo masculino, confirmou que 50% dos adolescentes conviviam com parentes que faziam uso frequente e abusivo de álcool. Para Carlini, os pais devem ser extremamente cuidadosos, principalmente com os exemplos dentro de casa. “O pai (a mãe ou o irmão mais velho) chega do trabalho irritado e exausto, vai pro barzinho da casa, bebe e se acalma, descontraindo perante o filho, que vê aquilo como uma atitude correta e a ser seguida”, diz o diretor do Cebrid.

Hábitos familiares

Além da preocupação com o exemplo familiar, Souto também aponta a mídia e propagandas de televisão, por exemplo, como estimuladoras desse consumo precoce e abusivo pelos jovens, o que pode vir a se tornar uma dependência na vida adulta. “Precisamos discutir isso em família, dizer que não precisa beber em excesso e que a mídia tenta fazer com que o adolescente compre o que está sendo veiculado como valor positivo”, aconselha o psicólogo do Cratod.

Por isso, o tempo em conjunto entre pais e filhos deve acontecer como qualquer outro hábito familiar. Carlini cita uma pesquisa feita no exterior que procurou relacionar adultos jovens que consumiam e os que não consumiam drogas. “Era mais comum haver jovens que não usavam drogas quando a família tinha o hábito saudável de fazer pelo menos uma refeição em conjunto, onde conversavam e trocavam ideias”, diz.

É importante para os pais também atentarem para o fato de que nem todo o consumo de drogas se transforma em dependência. “Muitos jovens experimentam droga e fazem o uso ocasional, que faz parte até das descobertas dos seus limites e potencialidades na adolescência, e não vão continuar usando. Por isso, a importância de se acompanhar o filho de perto, que não está preparado para tomar decisões tão importantes quanto usar drogas ou não”, finaliza Souto.

Por Michele Roza

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